Lovecraft’s Matrix – Ficha-tema + Reporte de Sessão

Recentemente tive uma das experiências mais bacanas como  Este Corpo Mortal, isto porque joguei com um grupo pequeno, o que eu acho que ajuda muito neste RPG, e muito bem familiarizado com este jogo e sua premissa. Abaixo vocês encontrarão a ficha-tema e um pequeno reporte da sessão.

Ficha- tema

Tom

Opressor, sombrio e delirante.

Cenário

Em algum ponto de um futuro não muito distante uma poderosa raça alienígena simbionte chegou à Terra. Eles eram um povo conquistador e adorador de terríveis Deuses Monstros. A invasão foi sutil e bem executada, grandes nomes da humanidade foram dominados por simbiontes e conduziram um plano intrincado de dominação da espécie humana: o cultivo do homem.

Um agente
Hoje, algum ponto do século 22, a raça humana foi completamente dominada. Todos os nascidos são criados em laboratório, programados geneticamente para exercerem uma função na sociedade e para não se rebelarem. Com humanos sendo criando em laboratórios e sendo apenas carcaças programadas e sem individualidade, hoje o mundo vive um estado de perfeição deturpada e doentia. Nenhum homem tem nome, nem prazeres ou força de vontade e assim o domínio alienígena é completo.

Humanos são cultivados com uma razão: ele vivem uma vida programada e pacata até chegarem aos 35 anos, o auge físico e mental da espécie, quando então são abduzidos (como na primeira imagem deste post) e enviados para o planeta natal dos Deuses Monstros, onde, graças à quebra da normalidade de suas vidas, sua loucura instantânea e bruta alimentará essas entidades impossíveis.

A humanidade estaria perdida, se não fosse pelos bugs. Eventualmente um casal humano programado (a.k.a. Mãe e Pai) vivenciam simultaneamente uma falha na programação e têm uma relação sexual, que será prontamente esquecida assim que seu cérebro der reboot (dormir). Graças aos bugs na programação alienígena nascem humanos que são realmente humanos. Livres para serem o que querem ser.

A vida dos humanos verdadeiros é muito difícil, eles se sentem deslocados em um mundo programado e robótico, onde todos sabem exatamente o que fazer e quando fazer. Em geral as anomalias (humanos verdadeiros) são identificados em algum ponto entre o fim da infância e o início da adolescência e então são entregue pelos seus pais para os agentes, meio humanos meio alienígenas, que darão fim ao erro.

Eventualmente uma anomalia é encontrada antes pela resistência (humanos verdadeiros que escaparam antes da chegada dos agentes) e é levada para o Lar, onde poderão exercer sua individualidade e ter um nome próprio. Cada humano verdadeiro, ao se descobrir como um indivíduo único, desenvolve habilidades ligadas à sua personalidade. Essas habilidades são a verdadeira exteriorização da individualidade humana. Normalmente eles se dão nomes que estão relacionados às suas habilidades, como Gelo, Rápido ou Pequeno.

Outro problema é que nem todos os humanos verdadeiros, que levam  uma vida de abandono e estranheza, seguem um bom caminho. Muitos, que são tratados como abominações durante toda a sua vida, acabam por se tornar monstros de verdade personificando a sua auto-imagem residual.

O Lar: É uma dimensão criada inconscientemente pela criatividade coletiva da resistência. Não pode ser acessada por ninguém que não saiba o que procurar, afinal ele está infinitamente distante de qualquer ponto do planeta ao mesmo tempo que está a uma distância nula. É uma terra de magia abundante, onde a criatividade humana toma forma física de forma muito mais natural.

O Nível da Magia

Baixa magia.

Situações de Conflito

Natural x Artificial; Perda dos entes queridos; Crianças e adolescentes raptados.

Vilões

O Executivo (aquele que governa todo o mundo); Os agentes; Monstros e lendas.

Personagens

Cenas

Em um subúrbio qualquer: Na primeira cena os personagens chegavam em uma típica rua de subúrbio americano durante uma noite fria e úmida. Aqui eles deveriam identificar uma garotinha que havia sido identificada como sendo humana verdadeira e, portanto, novo alvo dos agentes. Foi uma cena divertidíssima, com os personagens interagindo com a Filha da casa 12 (“nome” que a garotinha tinha). Eles conseguiram, ao usar seus poderes de maneira super criativa, convencer a garota a acompanhá-los, instantes antes da chegada dos agentes. Aqui eles também começaram a cogitar qual a habilidade da Filha, que parecia saber exatamente o que o agentes fariam, embora ela não os conhecesse.

Lobisomem no parque: Após despistarem os agentes, graças à Filha, o grupo decidiu que seria melhor descansar no parque da cidade. Aqui o primeiro combate aconteceu, um lobisomem (humano verdadeiro que se vê como um monstro) apareceu para abocanhar a Filha. O grupo usou seus poderes de maneira muito criativa, especialmente Imagem que, sacrificando um Marcador de Magia, criou um uso para sua Ilusão: mergulhar o alvo em um mundo ilusório (alguém falou em Inception ou Matrix aí?).

Uma das entradas do Lar
Chegando ao Lar: A sessão terminou com os jogadores fazendo uma viagem de 14 dias com a Filha. A viagem é muito mais que uma viagem no sentido de locomoção de um ponto ao outro, mas sim algo lúdico. É a magia da descoberta de si mesmo, onde a Filha pode se descobrir como um ser único e capaz de criatividade, aceitando que sua vida não é programada e que ela pode ser o que quiser. Quando ela finalmente se descobriu a entrada do lar foi revelada e ela pode adentrar, agora como Sistema (pois é capaz de ver a programação dos humanos criados em laboratório), ou Sis como ela prefere ser chamada.

Minha Avaliação

Eu já estou me acostumando a mestrar Este Corpo Mortal no improviso, pois sempre montamos a ficha-tema e jogamos logo em seguida, mas esta sessão foi muito mais interessante. Os jogadores pegaram bem a ideia de contribuir com o cenário usando os Marcadores de Poder e Magia e foram, todo o tempo, construindo o mundo em conjunto comigo. Vi que todos ficaram bem animados com o cenário e com o estilo do jogo e este será um jogo que eu faço questão de levar pra frente.

E vocês, já jogaram algo parecido usando o Este Corpo Mortal? O que acharam desse nosso jogo?

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3 comentários sobre “Lovecraft’s Matrix – Ficha-tema + Reporte de Sessão

  1. A parte do improviso do ECM é o que mais me fascina. A diversão para o Moderador (Mestre) é justamente essa parte. Chega de histórias com início, meio e fim já planejados onde o personagem vai do ponto A para o B e o mestre só conduz. Criação coletiva é o que há de mais inovador neste tipo de RPG.

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